O ESPÍRITO DO SOM é uma edição que contém registros caseiros inéditos de canções, feitos em fita cassete entre novembro e dezembro de 1983, em Brasília. O disco de estréia, Vol.I- SEGREDO, foi lançado em julho de 2015 pela gravadora Coqueiro Verde Records.
Cássia era música da cabeça aos pés. A intensidade com que vivia seu dom de cantar e tocar era algo que eu nunca tinha visto em ninguém. Sua presença era forte e arrebatadora, mas também podia ser suave e delicada. Ela dizia que não levava muito a sério as letras e a poesia. Que se entrasse muito a fundo nas palavras seria incapaz de cantar as notas da canção. Mais uma mentira das muitas que ela sempre contava. A música na voz de Cássia achava todos os caminhos. Apaixonava-se, sofria, amava-se, divertia-se e podia também brigar. Foi assim que conheci Cássia; foi assim que amei Cássia. Este CD é um presente a todos vocês fãs e colecionadores. Um recorte inédito de Cássia Eller, feito em casa e em um momento muito especial das nossas vidas. Este CD traz gravações que ela dedicou ao meu irmão Pedro e celebra um novo encontro musical com Rodrigo, Chico e Eugênia, agora guardadores deste precioso acervo.

Elisa de Alencar
Brasília, abril de 2015.
Capa - Espirito do som - Volume I
UMA PRODUÇÃO “PORANGARETÉ” IDEALIZADA E DIRIGIDA POR RODRIGO GARCIA

ÁUDIOS ORIGINAIS DO ACERVO DE ELISA DE ALENCAR
RESTAURAÇÃO DOS ÁUDIOS: RODRIGO GARCIA E DIEGO JANSSEN
MASTERIZAÇÃO: RICARDO GARCIA [MAGIC MASTER]
FOTO DA CAPA: RODRIGO ROAL
FOTO DE CÁSSIA ELLER E ELISA DE ALENCAR: MARIA HELENA CARVALHO
CAPA E DIREÇÃO DE ARTE: EMERSON FERREIRA E RODRIGO GARCIA
PROJETO GRÁFICO: NATIVU DESIGN
  • O ESPÍRITO DO SOM VOL. 1 SEGREDO

    Porangareté
    Coqueiro Verde Records (2015)
  • SEGREDO

    LUIZ MELODIA
    GAPA LTDA (WARNER/CHAPPELL)
  • FOR NO ONE

    LENNON / MCCARTNEY
    SONY/ATV TUNES LLC
  • HAPPINESS IS A WARM GUN

    LENNON / MCCARTNEY
    SONY/ATV TUNES LLC
  • FLOR DO SOL

    CÁSSIA ELLER / SIMONE SABACK
    DIRETO / SONY/ATV
  • NE ME QUITTE PAS

    JACQUES BREL
    WARNER/CHAPPELL/SICAM/DR
  • AIRECILLOS

    MARLUI MIRANDA
    WARNER/CHAPPELL
  • AUSÊNCIA

    EDNARDO
    AURA EDIÇÕES (AMAR)
  • SUA ESTUPIDEZ

    ROBERTO CARLOS / ERASMO CARLOS
    EMI SONGS
  • GOOD MORNING HEARTACHE

    IRENE HIGGINBOTHAM / ERVIN DRAKE / DAN FISHER)
    UNIVERSAL MUSIC PUBLISHING
  • GOLDEN SLUMBERS

    LENNON / MCCARTNEY
    SONY/ATV TUNES LLC

Todo veneno vivo, um vigoroso retrato de Cássia Eller

Cássia Eller era um bicho de palco. Nesse habitat especial, sua notória timidez dava lugar à exuberância artística da cantora, cuja voz rascante marcou a música brasileira nos anos 1990. Apresentações viscerais, calcadas nos seus admiráveis recursos vocais e na intuição própria aos grandes intérpretes, transformavam os shows de Cássia em experiências estéticas inesquecíveis.

Durante três noites de dezembro de 1997, no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, a gravadora Polygram, atual Universal Music, registrou a turnê de lançamento do disco Veneno Antimonotonia, tributo a Cazuza, produzido pelo poeta multimídia Waly Salomão, diretor do antológico show/disco Fa-tal, de Gal Costa. O encontro entre Cássia e Waly, que também dirigiu o show, rendeu um espetáculo de som e fúria ainda mais potente que o álbum de estúdio. Ela era fera indomável, ele sabia e, inteligentemente, cuidou de realçar aquela potência. Além das composições de Cazuza, presença constante na discografia de Cássia, entraram no roteiro músicas de Lobão, Luiz Melodia, Renato Russo e Rita Lee, entre outros. Com 14 das músicas apresentadas, Veneno vivo, o segundo registro de show da cantora, chegou às lojas em março de 1998. 21 anos depois, a Universal Music lança Todo veneno vivo, a íntegra do espetáculo registrado naquelas noites, nos formatos de CD duplo e álbum digital. Produzido pelo músico Rodrigo Garcia, que tocou como convidado especial, Todo veneno vivo apresenta 24 faixas, out takes inéditos, com exceção de ‘Nós’, ‘Mis penas Lloraba Yo/ Soy Gitano’, ‘Farrapo humano’ e ‘Amor destrambelhado’, extraídas do CD Veneno vivo. Um registro completo, sem intervenções e com eventuais “imperfeições”, este lançamento é uma oportunidade rara para os antigos e novos fãs (re)vivenciarem as incendiárias apresentações de Cássia Eller.

“Eu não sei se vocês perceberam, mais eu fico muito feliz cantando as músicas de Cazuza. Bom pra caralho!” – diz a cantora com sua conhecida irreverência no início do show, que dura cerca de uma hora e meia. Além das músicas acima citadas, estão lá ‘Todo amor que houver nessa vida’, ‘Só as mães são felizes’, ‘A orelha de Eurídice’, ‘Bete Balanço’ e ‘Mal nenhum’. A identificação com o autor de ‘Malandragem’, no palco e fora dele, rendeu interpretações que revitalizam, incendeiam cada uma das canções. As vigorosas releituras de ‘Vida bandida’, ‘Todas as mulheres do mundo’ e ‘Geração Coca Cola’ também contribuem para a atmosfera roqueira do espetáculo. Alguns detalhes enriquecem ainda mais Todo veneno vivo. Ao fim da versão demolidora de ‘Menina mimada’ são entremeados versos extraídos do poema ‘Querido diário (Tópicos para uma semana utópica)’ de Cazuza: “Olhar o mundo com coragem do cego/ Ler da tua boca as palavras com a atenção do surdo/ Falar com os olhos e as mãos como fazem os mudos”. Em ‘Brasil’, a cantora cita ‘Coisas nossas’, de Noel Rosa, aproximando os dois poetas do cotidiano de gerações distintas no impactante início do show. Coerentemente com o exagero boêmio de ‘Por que a gente é assim?’, Cássia cantarola ‘Se eu quiser fumar, eu fumo, se eu quiser beber, eu bebo”, versos de ‘Lama’ (Paulo Marques/ Aylce Chaves), clássico samba-canção da década de 1950. Com seu gosto eclético, ela aproximava gêneros musicais, fazendo com que o rock, o samba e a MPB fossem vistos naturalmente como música brasileira. Mas as suas referências iam além das fronteiras nacionais. O hedonismo de ‘Pro dia nascer feliz’ é realçado por trechos incidentais das clássicas rollingstoneanas ‘(I can’t get no) Satisfaction’ e ‘Let’s spend the night together’.

Todo veneno vivo termina com ‘Eu queria ser Cássia Eller’, a canção feita por Péricles Cavalcanti em homenagem à cantora. A certa altura da faixa, se ouve alguém dizendo: “Eu também!” Faz sentido. Afinal, era uma artista de personalidade única. Quase duas décadas depois de sua precoce saída de cena, nenhuma outra cantora chegou perto dela. Antídoto contra a monotonia antes e agora, Todo veneno vivo é um fiel e vigoroso retrato do furacão Cássia Eller.

Julio César Biar

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Cássia Eller Todo Veneno Vivo
  • CD 01

    Universal Music (2019)
  • BRASIL / Citação: SÃO COISAS NOSSAS

    (George Israel; Nilo Romero; Cazuza)
  • BLUES DA PIEDADE

    Cazuza; Frejat
    (WARNER/CHAPPELL)
  • OBRIGADO (POR TER SE MANDADO)

    Cazuza; Zé Luis
    (WARNER/CHAPPELL)
  • POR QUE A GENTE É ASSIM?

    Cazuza Ezequiel Neves; Frejat
    (WARNER/CHAPPELL)
  • TODO O AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA

    Roberto Frejat; Cazuza
    (WARNER/CHAPPELL)
  • 1º DE JULHO

    Renato Russo
    LEGIÃO URBANA PRODUÇÕES
  • SÓ AS MÃES SÃO FELIZES

    Cazuza; Roberto Frejat
    (WARNER/CHAPPELL)
  • VIDA BANDIDA

    Lobão; Bernardo Vilhena
    (UNIVERSAL-MGB/ REGATA PRODUÇÕES (SONY/ATV)
  • PONTO FRACO

    Frejat; Cazuza
    (WARNER/CHAPPELL)
  • PRECISO DIZER QUE TE AMO (c/ LUCI DIOLIVEIRA)

    Dé; Bebel Gilberto; Cazuza
    (WARNER/CHAPPELL)
  • NÓS

    Tião Carvalho
    (CIRCUITO MUSICAL/ UNIVERSAL-MGB)
  • MIS PENAS LLOROBA YO/ SOY GITANO

    Pecino Antonio Sanchez; Ramon Sanchez Gomez / Camaron de La Isla; Vicente Amigo; José Fernández Torres
    SGAE (ABRAMUS)
Olhos
  • CD 02

    Universal Music (2019)
  • BILLY NEGÃO

    Cazuza; Guto Goffi; Maurício Barros
    (WARNER/CHAPPELL)
  • FARRAPO HUMANO

    Luiz Melodia
    (WARNER/CHAPPELL)
  • FAÇA O QUE QUISER FAZER (c/ Fábio Allman)

    Felipe Cambraia; Lúcio Krops; Fábio Allman
    UNIVERSAL-MGB (F. Allman cedido por ALBATROZ PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA)
  • A ORELHA DE EURIDICE

    Cazuza
    (WARNER/CHAPPELL)
  • MENINA MIMADA (c/ trecho de QUINTA-FEIRA (TÓPICOS PARA UMA SEMANA UTÓPICA/ Cazuza)

    Cazuza; Maurício Barros
    (WARNER/CHAPPELL)
  • MAL NENHUM

    Cazuza; Maurício Barros
    UNIVERSAL-MGB/ WARNER/CHAPPELL
  • BETE BALANÇO

    Roberto Frejat; Cazuza
    (WARNER/CHAPPELL)
  • AMOR DESTRAMBELHADO

    Márcio Mello; Lan Lan
    (BIZARRO / UNIVERSAL-MGB)
  • TODAS AS MULHERES DO MUNDO (citação BEM-ME-QUER / Rita Lee; Roberto de Carvalho)

    Rita Lee
    (WARNER/CHAPPELL)
  • GERAÇÃO COCA-COLA

    Renato Russo
    (TAPAJÓS / UM7)
  • PRO DIA NASCER FELIZ (incidentais: SATISFACTION/ LET'S SPEND THE NIGHT TOGETHER)

    Frejat; Cazuza/ Mick Jagger; Keith Richards
    (ABKCO MUSIC INC./ GIDEON MUSIC INC.)
  • EU QUERIA SER CÁSSIA ELLER

    Péricles Cavalcanti
    (UNIVERSAL-MGB)
Boca

Música tem sentimento

Música é uma coisa bela que me toca lá, bem lá dentro, por isso tenho de ouvi-la, não existe mais nada para mim além disso (que é mais que isso). Tenho medo de ficar alienada, um dia, por eu pensar assim. A música me comanda. Eu mudo o meu estado de espírito de acordo com a música que estou ouvindo. Estou ouvindo Ravel agora... ainda há pouco estava agressiva por causa de um trecho de “La Valse”, agora me sinto tão serena, voando sem corpo, só com o meu pensamento, sem sentir nada, assim... sem o sentido do tato, só visão. E a audição... só música... só. O único cheiro que sinto é inodoro, O2 puro. Não tenho paladar porque não preciso agora. Só preciso dos ouvidos e da visão (não os olhos, vê-se com o espírito).

Eu acho que os cantores quando cantam querem que o povo goste. E eu só quero cantar, porque é a única maneira que eu tenho de me extravazar. Tenho coisas aqui precisando ser postas pra fora, e que maneira mais bonita que eu fui arrumar pra expulsá-las... é bonito, quando eu canto e estou satisfeita. É doído, quando canto e estou angustiada. Eu cantando sei mais de mim. Você pode pensar que me conhece um bocado se algum dia conversou comigo, se leu alguma coisa que eu escrevi, se foi pra cama comigo, mas, pode crer, você se espantará quando me ouvir cantar. Essa sim, sou eu... me mostrando porque eu quero... é quando sou sincera mesmo.
"Eu nunca tive essa ilusão, assim, de fazer sucesso, sabe?! É claro que a coisa que eu mais queria na minha vida era que o meu trabalho chegasse pra todo mundo. Que todo mundo tivesse acesso a ele. Mas eu não queria que fosse atochado guela abaixo dos cara, entendeu?! Eu quero que seja uma coisa natural!"

O documentário Cássia retrata o ícone do cenário musical brasileiro nos anos 90. Em sua breve trajetória, Cássia Eller deixou uma marca inegável na cultura do país. Além da projeção musical, sua história pessoal expos tabus e ganhou repercussão nacional após sua morte, quando a guarda de seu filho “Chicão” ficou com sua companheira Maria Eugênia. O filme conta com depoimentos de amigos como Zélia Duncan, Nando Reis e de Maria Eugênia, mostrando a personalidade paradoxal de Cássia, contrastando sua timidez e delicadeza com a irreverência e personalidade nos palcos.



Direção, roteiro e montagem: PAULO HENRIQUE FONTENELLE | Empresa produtora: MIGDAL FILMES | Produção: IAFA BRITZ | Fotografia: VINICIUS BRUM


Mais informações: facebook.com/cassiaofilme

"Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher"

Doce e amiga na vida, forte e surpreendente na arte. Com menos de 40 anos de vida e 20 de carreira, Cássia Eller partiu no auge e deixou uma obra eterna. Essa trajetória está sendo encenada pela primeira vez em ‘Cássia Eller – o musical’, que estreou no dia 29 de maio no CCBB-RJ, com TACY DE CAMPOS no papel-título, direção de João Fonseca e Viniciús Arneiro, direção musical de Lan Lan, texto de Patrícia Andrade, idealização de Gustavo Nunes e produção da Turbilhão de Ideias.


Direção: JOÃO FONSECA e VINICIÚS ARNEIRO
Texto: PATRICIA ANDRADE
Direção Musical: LAN LAN
Codireção Musical: FERNANDO NUNES
Direção de Produção: GUSTAVO NUNES


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